Dr. Leopoldo Oiticica Barbosa, PhDOftalmologista em Maceió

Catarata

Catarata e lentes premium: qual a diferença e quando vale a pena?

A escolha da lente intraocular é uma das decisões mais importantes da cirurgia de catarata. Entenda as opções disponíveis e o que pesa na decisão.

Por Dr. Leopoldo Oiticica Barbosa, PhD, médico oftalmologista, CRM-AL 7529, RQE 4713. Publicado em , revisado em .

Na cirurgia de catarata, o cristalino é substituído por uma lente intraocular. A monofocal dá visão nítida em uma distância só, geralmente longe. As chamadas lentes premium (tóricas, EDOF, multifocais e trifocais) ampliam o alcance de foco e reduzem a dependência de óculos, com trocas que precisam ser entendidas antes de operar.

Lente intraocular com anéis difrativos, do tipo usado nas lentes premium
Tipos de lentes intraoculares: comparativo MONOFOCAL Longe Óculos para perto coberto pela maioria dos planos 1 ponto focal EDOF Longe + Intermediário Foco estendido menos halos que multifocal foco contínuo estendido MULTIFOCAL Longe Médio Perto Maior independência dos óculos, mas exige seleção criteriosa 3 pontos focais simultâneos

Quando a catarata é indicada para cirurgia, uma pergunta frequente é: "Doutor, vale a pena investir em uma lente premium?" A resposta depende de como cada pessoa usa a visão, e entender as diferenças ajuda a decidir.

O que acontece na cirurgia de catarata?

A catarata é o opacamento progressivo do cristalino, a lente natural do olho. Na cirurgia, o cristalino opacado é removido e substituído por uma lente intraocular artificial (LIO). Essa lente fica permanentemente dentro do olho e será responsável pelo foco visual pelo resto da vida.

Por isso, a escolha da lente é tão importante: não é apenas uma questão de custo, mas de como você vai enxergar daqui em diante.

Tipos de lentes intraoculares

Lente monofocal (padrão)

A lente monofocal é a mais utilizada e está coberta pela maioria dos planos de saúde. Ela corrige a visão para uma única distância, geralmente longe. Após a cirurgia, o paciente costuma continuar usando óculos para leitura e, em alguns casos, também para distância intermediária (computador).

Lente multifocal

A lente multifocal possui múltiplos focos simultâneos, permitindo enxergar bem tanto de longe quanto de perto, com maior independência dos óculos no dia a dia. É a opção que mais reduz a necessidade de óculos após a cirurgia.

Porém, não é indicada para todos: pacientes com glaucoma avançado, doenças da retina ou córnea irregular podem não ter o benefício esperado. A indicação precisa de avaliação criteriosa.

Lente trifocal

A trifocal é um tipo de multifocal: em vez de dois focos, ela cria três pontos de foco simultâneos, para longe, para a distância intermediária (computador, painel do carro, cozinha) e para perto (leitura). É a tecnologia que mais reduz a dependência de óculos no dia a dia.

O preço dessa independência é o mesmo das multifocais: mais halos e brilho ao redor das luzes à noite nos primeiros meses, e alguma perda de sensibilidade ao contraste. Em olho saudável e com expectativa bem conversada, a adaptação costuma ser boa. Em olho com glaucoma moderado ou avançado, doença de retina ou córnea irregular, em geral não é a escolha.

Lente tórica

Indicada para pacientes com astigmatismo significativo. A lente tórica corrige o astigmatismo ao mesmo tempo em que substitui o cristalino, reduzindo a dependência de óculos para longe. Pode ser combinada com tecnologia multifocal (lente tórica multifocal).

Lente EDOF (profundidade de foco estendida)

Lente de foco estendido que oferece boa visão de longe e intermediária (computador, painel do carro), com menor incidência de halos e reflexos que as multifocais convencionais. É uma alternativa intermediária, especialmente para motoristas e usuários intensos de telas.

Comparativo resumido

Lente Longe Intermediário Perto
Monofocal Ótima Parcial Necessita óculos
Tórica Ótima + corrige astigmatismo Parcial Necessita óculos
EDOF Ótima Ótima Parcial
Multifocal Ótima Boa Boa

A lente premium não garante visão perfeita sem óculos em todos os casos. O resultado depende da saúde ocular geral, da biometria, da córnea e da habilidade cirúrgica. Por isso a conversa com o cirurgião antes de operar faz tanta diferença.

Quem não deve usar lente multifocal?

A lente multifocal não é indicada para todos. Os principais critérios de exclusão são:

Vale o custo adicional?

Para o paciente bem indicado, costuma valer. Acordar sem precisar de óculos para ler, cozinhar, usar o celular ou trabalhar no computador é uma diferença concreta no dia a dia.

O ponto central é que a decisão deve ser personalizada. A lente certa é a que combina com o seu olho, a sua rotina e o que você espera da cirurgia.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre lente monofocal e multifocal?

A monofocal foca em uma distância só, normalmente longe, e o paciente usa óculos para perto. A multifocal ou trifocal divide a luz em mais de um foco e permite enxergar longe, intermediário e perto sem óculos na maior parte do tempo, ao custo de mais halos noturnos.

Lente premium vale a pena?

Vale para quem tem expectativa clara de independência de óculos, aceita o compromisso de qualidade de imagem noturna e tem olho anatomicamente adequado. Não vale quando a retina, a córnea ou o nervo óptico limitam o resultado, nem para quem tem perfil de alta exigência visual noturna, como motorista profissional.

O que é lente tórica?

É a lente que corrige astigmatismo. Pode ser monofocal tórica ou multifocal tórica. Sem ela, o astigmatismo permanece depois da cirurgia e o paciente continua precisando de óculos mesmo para longe.

O que é lente EDOF?

EDOF significa foco estendido. Ela alonga a profundidade de foco em vez de criar focos separados, o que dá boa visão de longe e intermediária com menos halos que a multifocal, mas costuma exigir óculos para leitura de letras pequenas.

A lente intraocular precisa ser trocada com o tempo?

Não. A lente é permanente. O que pode acontecer é a opacificação da cápsula atrás da lente, resolvida em minutos no consultório com laser YAG, procedimento diferente e muito mais simples que a cirurgia.

Quem tem glaucoma pode usar lente multifocal?

Exige cautela. A multifocal reduz a sensibilidade ao contraste, algo que o glaucoma já compromete. Em glaucoma leve e estável pode ser considerada; em doença moderada ou avançada, geralmente não é a melhor escolha.

Consulta em Maceió

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Atendo no Instituto de Olhos de Maceió, nas unidades Farol e Ponta Verde.

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