Resposta direta

MIGS são cirurgias minimamente invasivas de glaucoma. Elas ocupam o espaço entre o colírio e a cirurgia tradicional: reduzem a pressão ocular com muito menos risco que a trabeculectomia, recuperação rápida, e frequentemente são feitas junto com a cirurgia de catarata.

Espectro de tratamentos do glaucoma SLT Colírios MIGS menor risco · recuperação rápida Trabeculectomia Implante ← Menos invasivo Mais invasivo → Principais vantagens dos MIGS Microincisão Sem sutura na esclera ou na conjuntiva Combinável Realizado junto com cirurgia de catarata Recuperação Retorno às atividades em 1–3 dias Reduz colírios Pode eliminar parcial ou totalmente a medicação

Durante décadas, o tratamento cirúrgico do glaucoma ficou restrito a procedimentos como a trabeculectomia — eficaz, mas associada a riscos e tempo de recuperação consideráveis. Nos últimos anos, uma nova categoria de procedimentos surgiu para preencher a lacuna entre os colírios e as cirurgias maiores: os MIGS.

O que são os MIGS?

MIGS é a sigla para Minimally Invasive Glaucoma Surgery — em português, cirurgias minimamente invasivas para glaucoma. São procedimentos que utilizam microdispositivos ou técnicas de microincisão para melhorar a drenagem do humor aquoso e reduzir a pressão intraocular, com menor risco cirúrgico e recuperação mais rápida comparados às cirurgias convencionais.

Uma das grandes vantagens dos MIGS é a possibilidade de realizá-los simultaneamente à cirurgia de catarata, sem aumentar significativamente o tempo cirúrgico ou os riscos. Para pacientes que têm catarata e glaucoma ao mesmo tempo, essa combinação pode resolver dois problemas em uma única intervenção.

Como os MIGS funcionam?

Os MIGS atuam pela via natural de drenagem do olho — a malha trabecular e o canal de Schlemm. Por meio de microincisões e microdispositivos, aumentam o fluxo de saída do humor aquoso sem criar novas vias externas de drenagem, o que explica o excelente perfil de segurança desses procedimentos. Exemplos incluem o iStent inject, o Hydrus e a trabeculotomia por goniotomia (GATT). São os mais indicados para casos leves a moderados.

Para quem os MIGS são indicados?

Os MIGS têm indicação mais precisa que as cirurgias convencionais. Em geral, são mais adequados para:

Qual a diferença entre MIGS e trabeculectomia?

A trabeculectomia é a cirurgia clássica do glaucoma e a que proporciona a maior redução de pressão intraocular dentre todos os procedimentos disponíveis. Cria uma fístula (abertura) na esclera para drenar o humor aquoso para fora do olho, formando uma bolha filtrante. É a cirurgia mais indicada quando o glaucoma está avançado ou quando o nível de pressão-alvo exige reduções mais expressivas que os MIGS conseguem oferecer.

Os MIGS atuam pelas vias naturais de drenagem, com menor risco e recuperação mais rápida — porém com redução pressórica mais modesta. Não é uma questão de um ser melhor que o outro: cada procedimento tem seu espaço na escada terapêutica do glaucoma, e a escolha depende do estágio da doença, do nível de pressão-alvo necessário e do perfil do paciente.

Como é a recuperação após MIGS?

A recuperação dos MIGS é, em geral, bem mais tranquila que a das cirurgias convencionais:

Os MIGS substituem os colírios?

Para muitos pacientes, sim — parcialmente ou totalmente. Um dos objetivos dos MIGS é justamente reduzir a carga de colírios, que exigem uso diário, podem ter efeitos colaterais locais e sistêmicos, e dependem de adesão rigorosa do paciente.

Em alguns casos, o MIGS permite eliminar completamente os colírios. Em outros, reduz de 2-3 colírios para apenas 1, o que já representa uma melhora significativa na qualidade de vida.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre MIGS e trabeculectomia?

A trabeculectomia cria uma via nova de drenagem sob a conjuntiva e reduz muito a pressão, mas tem mais complicações e recuperação longa. As MIGS atuam pelas vias naturais de drenagem, têm perfil de segurança bem melhor e recuperação rápida, com redução de pressão em geral menor.

MIGS pode ser feita junto com a cirurgia de catarata?

Sim, e é a situação mais comum. O paciente com catarata e glaucoma resolve as duas coisas no mesmo tempo cirúrgico, sem incisão adicional relevante, o que torna a indicação bastante favorável.

Quem é candidato à MIGS?

Em geral, pacientes com glaucoma leve a moderado, sob uso de colírios, especialmente quando há catarata associada. Glaucoma avançado com necessidade de pressão muito baixa costuma exigir cirurgia filtrante.

A MIGS elimina o colírio?

Frequentemente reduz o número de colírios e, em parte dos casos, elimina. Não há garantia: o objetivo é atingir a pressão-alvo com menos medicação e menos risco.

Qual a recuperação de uma MIGS?

Rápida. A maioria dos pacientes retoma atividades em poucos dias, com colírios de pós-operatório por algumas semanas, esquema parecido com o da cirurgia de catarata.

MIGS é coberta por plano de saúde?

Alguns dispositivos têm cobertura pelo rol da ANS e outros não, e a regra muda com o tempo. A verificação é feita caso a caso pelo setor de autorização, antes do agendamento.

Dr. Leopoldo Oiticica Barbosa, PhD

Oftalmologista especialista em glaucoma pelo CBO. Doutor pela USP com pesquisa em SLT. Realiza procedimentos MIGS, trabeculectomia e cirurgias combinadas catarata + glaucoma no Instituto de Olhos de Maceió. CRM-AL 7529 · RQE 4713.

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