Dr. Leopoldo Oiticica Barbosa, PhDOftalmologista em Maceió

Glaucoma

MIGS: a nova geração de cirurgias minimamente invasivas para glaucoma

Os procedimentos MIGS são cirurgias de glaucoma menos invasivas que as tradicionais, com recuperação mais rápida e frequentemente combinados com a cirurgia de catarata.

Por Dr. Leopoldo Oiticica Barbosa, PhD, médico oftalmologista, CRM-AL 7529, RQE 4713. Publicado em , revisado em .

MIGS são cirurgias minimamente invasivas de glaucoma. Elas ocupam o espaço entre o colírio e a cirurgia tradicional: reduzem a pressão ocular com menos risco que a trabeculectomia, recuperação rápida, e frequentemente são feitas junto com a cirurgia de catarata.

Ângulo do olho em corte com um microimplante ligando a câmara anterior ao canal de Schlemm, como nas MIGS
Espectro de tratamentos do glaucoma SLT Colírios MIGS menor risco · recuperação rápida Trabeculectomia Implante ← Menos invasivo Mais invasivo → Principais vantagens dos MIGS Microincisão Sem sutura na esclera ou na conjuntiva Combinável Realizado junto com cirurgia de catarata Recuperação Retorno às atividades em 1 a 3 dias Reduz colírios Pode eliminar parcial ou totalmente a medicação

Durante décadas, o tratamento cirúrgico do glaucoma ficou restrito a procedimentos como a trabeculectomia, eficaz, mas associada a riscos e tempo de recuperação consideráveis. Nos últimos anos, uma nova categoria de procedimentos surgiu para preencher a lacuna entre os colírios e as cirurgias maiores: os MIGS.

O que são os MIGS?

MIGS é a sigla para Minimally Invasive Glaucoma Surgery, ou, em português, cirurgias minimamente invasivas para glaucoma. São procedimentos que utilizam microdispositivos ou técnicas de microincisão para melhorar a drenagem do humor aquoso e reduzir a pressão intraocular, com menor risco cirúrgico e recuperação mais rápida comparados às cirurgias convencionais.

Uma das grandes vantagens dos MIGS é a possibilidade de realizá-los simultaneamente à cirurgia de catarata, sem aumentar significativamente o tempo cirúrgico ou os riscos. Para pacientes que têm catarata e glaucoma ao mesmo tempo, essa combinação pode resolver dois problemas em uma única intervenção.

Como os MIGS funcionam?

Os MIGS atuam pela via natural de drenagem do olho: a malha trabecular e o canal de Schlemm. Por meio de microincisões e microdispositivos, aumentam o fluxo de saída do humor aquoso sem criar novas vias externas de drenagem, o que explica o bom perfil de segurança desses procedimentos. Exemplos incluem o iStent inject, o Hydrus e a trabeculotomia transluminal assistida por gonioscopia (GATT). São os mais indicados para casos leves a moderados.

Para quem os MIGS são indicados?

Os MIGS têm indicação mais precisa que as cirurgias convencionais. Em geral, são mais adequados para:

Qual a diferença entre MIGS e trabeculectomia?

A trabeculectomia é a cirurgia clássica do glaucoma e a que proporciona a maior redução de pressão intraocular dentre todos os procedimentos disponíveis. Cria uma fístula (abertura) na esclera para drenar o humor aquoso para fora do olho, formando uma bolha filtrante. É a cirurgia mais indicada quando o glaucoma está avançado ou quando o nível de pressão-alvo exige reduções mais expressivas que os MIGS conseguem oferecer.

Os MIGS atuam pelas vias naturais de drenagem, com menor risco e recuperação mais rápida, porém com redução pressórica mais modesta. Não é uma questão de um ser melhor que o outro: cada procedimento tem seu espaço na escada terapêutica do glaucoma, e a escolha depende do estágio da doença, do nível de pressão-alvo necessário e do perfil do paciente.

Como é a recuperação após MIGS?

A recuperação dos MIGS é, em geral, bem mais tranquila que a das cirurgias convencionais:

Os MIGS substituem os colírios?

Para muitos pacientes, sim, em parte ou totalmente. Um dos objetivos dos MIGS é justamente reduzir a carga de colírios, que exigem uso diário, podem ter efeitos colaterais locais e sistêmicos, e dependem de adesão rigorosa do paciente.

Em alguns casos, o MIGS permite eliminar completamente os colírios. Em outros, reduz de 2 ou 3 colírios para 1, o que já facilita muito o dia a dia.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre MIGS e trabeculectomia?

A trabeculectomia cria uma via nova de drenagem sob a conjuntiva e reduz muito a pressão, mas tem mais complicações e recuperação longa. As MIGS atuam pelas vias naturais de drenagem, têm perfil de segurança melhor e recuperação rápida, com redução de pressão em geral menor.

MIGS pode ser feita junto com a cirurgia de catarata?

Sim, e é a situação mais comum. O paciente com catarata e glaucoma resolve as duas coisas no mesmo tempo cirúrgico, sem incisão adicional relevante, o que torna a indicação bastante favorável.

Quem é candidato à MIGS?

Em geral, pacientes com glaucoma leve a moderado, sob uso de colírios, especialmente quando há catarata associada. Glaucoma avançado com necessidade de pressão muito baixa costuma exigir cirurgia filtrante.

A MIGS elimina o colírio?

Frequentemente reduz o número de colírios e, em parte dos casos, elimina. Não há garantia: o objetivo é atingir a pressão-alvo com menos medicação e menos risco.

Qual a recuperação de uma MIGS?

Rápida. A maioria dos pacientes retoma atividades em poucos dias, com colírios de pós-operatório por algumas semanas, esquema parecido com o da cirurgia de catarata.

MIGS é coberta por plano de saúde?

Alguns dispositivos têm cobertura pelo rol da ANS e outros não, e a regra muda com o tempo. A verificação é feita caso a caso pelo setor de autorização, antes do agendamento.

Consulta em Maceió

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